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Seis meses

27 de maio de 2015


Faz exatamente seis meses que não vejo mais seu sorriso todos os dias quando acordo. Sempre em silêncio, tudo ficou muito quieto por aqui , sabe?  Acho que o silêncio é resultado da saudade, ou talvez, você que fazia muito barulho. Eu adorava seu barulho. 

Seis meses sem ouvir sua irritante batida de colher de chá na xicara, isso era uma das coisas que mais me irritava. O arrastar de chinelos no corredor, por que você tinha preguiça demais para levantar seus pés para andar e sua teimosia em pegar meu lugar no sofá, isso sim era irritante. E o que mais me irrita agora, é simplesmente não ter nada disso para poder me incomodar. O que eu daria pra você me beliscar com o dedão do pé? Só mais uma vez. 

Foram anos e anos, lutando, sofrendo e vivendo. Essa tortura constante de não saber quando seria a hora. Todas as inúmeras vezes em que levantei para tomar um copo de agua a noite e passei no seu quarto, só para ver se ainda estava respirando, só pra ter certeza que ainda estava ali. Todas as vezes que corri desesperada com seus gritos de agonia, por que estava sufocando, o coração a mil, a cabeça dói e eu rezava, suplicava internamente para que ainda não fosse hora. Egoísmo meu, eu sei. 

Até que você foi para aquele lugar todo branco, aquela cama doentia, e aqueles malditos fios enrolados em você. Te ver doía. Os dias em que sentei naquela cama para conversar e você não me respondi, sedado, inconsciente e então? Eu lia. Segurava o livro com uma mão e com a outra massageava suas pernas finas. Eu sabia que não estava ouvindo, mas a esperança falava mais alto. Esse dia antes de ir para casa, eu parei ao seu lado, esperando por algum movimento seu. Mas ele não veio. Passei a mão nos que restou de seus cabelos depois de toda aquela química e beijei sua testa pálida, sussurrei um “eu te amo” e esperei... Nada. 

Me pergunto todos os dias do por que? Qual era o motivo de eu não falar para ele que o amava todos os dias. Não me perdoo por ter deixado de passar só mais cinco minutos ao lado dele no sofá brigando pelo controle. Não me perdoo por não ter ido pescar aquele dia que ele tanto queria e não me perdoo principalmente por não dizer pra ele o quanto eu o amava. 

Agora? Você não esta mais aqui para me levar para o quarto, quando eu adormecer na sala. Não vou mais fingir que estou rindo de suas péssimas piadas, não vou mais ouvir sua voz cantando suas adoradas musicas sertanejas. Não tenho mais bolinho de banana quando chego em casa. Não tem ninguém me brigar comigo por que demoro no chuveiro. Não tenho mais que ensinar a jogar pinball e nem suas indecifráveis mensagens de texto com milhões do emoticon, que ninguém conseguia entender. Não tenho mais você, não tenho mais nada. Só silencio. 

Depois de seis meses.

Thayná Laube

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2 comentários

  1. Lindo demais este texto, lindo e nostálgico

    Amei

    Bjss
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