Menu

Cartas para um desconhecido

4 de setembro de 2013


Dona Lucinda vivia sozinha. Seu marido falecera há dois anos. Toda a aposentadoria e a casa num belo sítio foi o que restou para ela. Apenas o sítio e ela. A casa cheirava a avós e era rodeada por flores. Flores que viviam com Dona Lucinda, mas, mesmo assim, ela se sentia só.

Luci era uma senhora que entendia de tecnologia. Tinha um email no qual visualizava todos os dias, depois de olhar para a foto do falecido marido. Era tipo um ritual. Acordar, tomar café super doce, almoçar qualquer besteira e pensar no velho. Por último conferir os emails.

Email de amigas, conhecidas, grupos da terceira idade. Mas um email a intrigou. Era um convite para participar de um projeto no qual senhorinhas escrevem cartas para outros idosos. Dona Lucinda aceitou as regras na esperança de receber uma carta do falecido. Ele era escritor. Dos bons. Claro que ela sabia que um morto não a escreveria, mas ela tinha esperanças.

O projeto funcionava assim: Dona Lucinda deveria escrever uma carta, de pedido, agradecimento ou um assunto aleatório. E assim fez. Segue a carta da Dona Luci: 

"__ Querido Alfredo... Estou aqui embaixo esperando por você, meu bem. Você se foi e eu fiquei aqui com as flores. Elas me amam sim, elas vivem comigo, mas sinto sua falta. Você ao menos poderia me dizer onde está? Se está tranquilo aí em cima e o que tem feito? Com amor, Lucinda!".

Dona Lucinda enviou a carta, sem saber se teria um retorno. Sem esperanças, ela mantinha seu ritual, só que com mais uma tarefa agregada: visualizar a caixa de correio. 

Passado alguns dias, Luci se conformara com a perda do marido. E certamente, o senhor Alfredo não a escreveria. Ela retomou a rotina, e já cansada dos afazeres, resolveu se deitar num mais luxuoso sofá. Quando estava prestes a pegar no sono, ouviu alguém bater em sua porta. Era o entregador de cartas. 
__ Uma encomenda para a você, senhora Lucinda.

Ela agradeceu, se sentou e foi logo abrindo. Se surpreendeu ao ler: 

" __ Querida Lucinda... Eu estou aqui em cima esperando por você. O lugar é lindo! É cheio de flores e tem o cheirinho da nossa casa. Eu estou bem, acredite. Também sinto saudade. Preciso de você assim como as flores precisam do sol. E é por isso que te pergunto, por que não vem morar comigo? Com amor, Alfredo".

Luci foi encontrada dias depois caída em sua sala, com a carta escrita pelo Alfredo e com uma rosa por cima do corpo. Ela decidiu ir com o seu marido.

__ A surpresa foi muito grande, minha filha. Sua avó foi uma grande mulher.



Autoria: Luisy de Albuquerque

4 comentários

  1. Nossa Luisy! Que texto lindo (e triste).. Uma verdadeira história de amor! Adorei o texto!

    Ah! Tem sorteio lá no meu blog do livro O Aleph, de Paulo Coelho, participe!

    Beijinhos..

    corujaloira.com

    ResponderExcluir
  2. Nossa, sei nem o que dizer do texto. Muito profundo Luisy, parabéns. Deu até vontade de chorar enquanto estava lendo. Voce é muito talentosa, continue assim que você irá muuuito longe!
    Eu to te seguindo! Escreve mais textos assim <3

    Kiss
    Cereja Black // www.cerejablack.com

    ResponderExcluir
  3. Oh Jac! Linda linda, obrigada de coração, vou participar sim!

    Cereja black, você por aqui? Não acredito... sou a-p-a-i-x-o-n-a-d-a pelo seu blog e é um prazer imenso ver um comentário seu no blog!
    Obrigada mesmo, de coração. Sucesso para você também! ♥

    ResponderExcluir
  4. Que texto lindo :'(
    Muito bom!

    Beijos,
    Marcela.
    http://ocantinholiterario.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir

 
Desenvolvido por Michelly Melo.