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O Trem Das Dez

19 de agosto de 2013
Olá meninas! Todos os textos que foram postados aqui até agora, eram de leitores que escrevem, certo? Decidi então mostrar pra vocês um pouquinho de outra coisa que eu gosto de fazer: escrever. O texto de hoje será de minha autoria. Bora lá!



Perdi o trem. Vai demorar pra eu sair daqui. Aqui na estação, moças anunciam novas horas de partida. Pessoas diferentes me olham como se eu parecesse estranha, insegura, excluída. Talvez pareça. Ou talvez só queira seguir o rumo.

Faz frio aqui dentro, estou vestindo um casaco antigo guardado há uns trezentos anos no fundo do meu guarda roupa de madeira, uma bota que quase nem esquenta e com umas meias grandes que cobrem o calçado.


O próximo trem sai as dez, parada estou e vou aguardar por um bom tempo. Decido sentar em um banco velho perto de onde as pessoas circulam pra lá e pra cá gritando: __ Não corre ciclano! __ Não sai de perto de mim fulano! - Acho engraçado o jeito que esses pais são preocupados... Eu estou indo pra uma nova cidade a fim de encontrar um desconhecido, preciso trocar umas ideias, mudar algumas opiniões a respeito de um assunto intrigante: o amor.


Avisto um vulto longe que por sinal era um menino loiro se aproximando, consigo notar a clareza em seus olhos. Ele parece nervoso, inquieto. E não é que ele pra sentou do meu lado?! Sabe quando você pensa que é tão real que vira surreal? Pois eu não imaginava que ele seria de verdade, na realidade poderia ser mais um dos meus sonhos tolos... Volto a imaginar o que me aguardava naquela cidade na qual eu nem conhecia, quando incrivelmente ele perguntou meu nome.


 Eu não tive coragem de responder, a não ser responder perguntando: __ E o seu? - Ele me disse que se chamava Nic, encabulada simplesmente pedi para que ele me chamasse de Luz. É bobagem eu sei, mas quando uma menina de 15 anos é totalmente inocente e passa sua vida escrevendo em um diário, ela se apaixona por pequenas coisas... e eu naquela hora teria me apaixonado por ele.


Ele apontou para um trem que havia se aproximado e perguntou se era o que eu pegaria. Respondi que seria o próximo e ele ficou surpreso. Por incrível que pareça, nosso destino era o mesmo. Horas se passaram e o trem das dez chegou. Embarcamos e ele sentou atrás de mim. Inquieta eu revirada tudo o que tinha na bolsa para pelo menos ter alguma coisa para fazer. Eu era a única que fazia barulho ali dentro. Encontrei por fim o diário, peguei uma caneta jogada e comecei a rabiscar o nome dele, sabe... sem sentido algum. Era Nic pra cá, Nic pra lá e ele não parava de olhar por cima do banco, de certo curioso e ao mesmo tempo triste, por já estarmos chegando.


As bancadas daquele trem eram uma de frente pra outra, a da minha frente estava vazia, claro. Era normal parecer esquisita. Meus cabelos nada certos embolados formando um ninho faziam com que as pessoas não dessem bola. Respirava um ar desconhecido, quando finalmente chegamos onde gostaríamos. Saltamos dali e eu fui para onde queria. Depois disso nunca mais o encontrei. 


Talvez realmente eu tenha descoberto o sentido do amor. Ele é real apenas por um tempo. 



Comentem. Beijos e até a próxima. ♥

5 comentários

  1. nossa que lindo e ao mesmo tempo que triste :'( mas o amor é assim né, um olhar e vc ja se apaixona. E as vezes o destino brinca.Acredito que isso nn existe somente na ficção. Você escreve super bem, e já estou te seguindo porque quero ver mais desse tipo por aqui *-*
    cafecomdoideira.com

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  2. Obrigada Thaty, tô te seguindo também, adorei o seu blog!
    Beijos!!

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  3. Oi Lu!
    Mto bom o texto, prendeu minha atenção do começo ao fim, continue escrevendo!
    :*

    http://hippiedeblush.blogspot.com.br/

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  4. Seguindo de volta Lu!
    Obrigada pelo carinho!
    Te respondi lá!
    =*

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